FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
09/09/2015 11h31
BEM-AVENTURADOS...

BEM-AVENTURADOS...

“Felizes vós, os pobres, [...] Felizes vós, os que agora chorais”

“Felizes vós, os pobres”. Nem todos os pobres são felizes, pois a pobreza é uma coisa neutra: pode haver pobres bons e maus. [...] Bem-aventurado o pobre que invoca o Senhor e Ele o atende (cf. Sl 33,7): pobre em erros, pobre em vícios, o pobre no qual o príncipe deste mundo nada encontrou (cf. Jo 14,30), o pobre que imita aquele Pobre que, sendo rico, Se tornou pobre por nós (cf. 2Cor 8,9). É por isso que Mateus dá a explicação completa: “Felizes os pobres de espírito”, pois o pobre de espírito não se ufana, não se engrandece no seu pensamento humano. Esta é, então, a primeira beatitude.

[“Felizes os mansos” escreve Mateus em seguida.] Tendo-me libertado de todos os pecados [...], estando satisfeito com a minha simplicidade, isento de mal, resta-me moderar o meu carácter. De que me serve não possuir bens materiais, se não for manso e tranquilo? Porque seguir o caminho certo é, evidentemente, seguir Aquele que diz: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). [...]

Dito isto, lembrai-vos de que sois pecadores: chorai os vossos pecados. Chorai os vossos erros. E é razoável que a terceira beatitude seja para aqueles que choram os seus pecados, pois é a Trindade que perdoa os pecados. Purificai-vos, pois, com as vossas lágrimas e lavai-vos com o vosso choro. Se chorardes por vós mesmos, ninguém terá de chorar por vós. [...] Todos temos os nossos mortos para chorar; morremos quando pecamos. [...] Que o pecador chore por si mesmo e se arrependa, a fim de se tornar justo, pois “o que advoga a sua causa parece ter razão” (Pr 18,17).[1]

Paz e Bem!

 


[1] Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja - Sobre o Evangelho de São Lucas, V, 53-55


Publicado por Frei Fernando Maria em 09/09/2015 às 11h31
 
07/09/2015 11h05
EXISTE...

EXISTE AMOR MAIOR QUE O MEU?

“Os escribas e os fariseus espiavam-no, a fim de encontrarem motivo para O acusar.”

O Senhor dirá àqueles que desprezaram a sua misericórdia:

“Homem, fui Eu que, com as minhas mãos, te formei do pó da terra, fui Eu que insuflei o espírito no teu corpo de terra, fui Eu que Me dignei atribuir-te a nossa imagem e a nossa semelhança, fui Eu que te coloquei no meio das delícias do paraíso. Mas tu, desprezando os mandamentos da vida, preferiste seguir o sedutor a seguir o Senhor.”

“Consequentemente, quando foste expulso do paraíso e ficaste preso nas cadeias da morte pelo pecado, enternecido de misericórdia, Eu entrei num seio virginal para vir ao mundo, sem prejuízo para essa virgindade. Fui estendido numa manjedoura, envolvido em panos; suportei os dissabores da infância e os sofrimentos humanos, pelos quais Me fiz semelhante a ti, com o único objetivo de te tornar semelhante a Mim. Suportei as bofetadas e os escarros daqueles que se riam de Mim, bebi vinagre com fel. Flagelado com varas, coroado de espinhos, pregado à cruz, trespassado pela lança, entreguei a alma aos tormentos para te arrancar à morte. Vê a marca dos cravos com que fui pregado; vê o meu lado trespassado. Suportei estes sofrimentos para te dar a minha glória; suportei a tua morte para tu vivesses para toda a eternidade. Repousei, encerrado no sepulcro, para que tu reinasses no céu.

“Porque perdeste aquilo que sofri por ti? Porque renunciaste às graças da tua redenção? Dá-Me a tua vida, pela qual dei a minha; dá-Me a tua vida, que destróis sem cessar pelos ferimentos dos teus pecados.”[1]

Paz e Bem!


[1] São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo - Sermões ao povo nº 57, 4


Publicado por Frei Fernando Maria em 07/09/2015 às 11h05
 
02/09/2015 10h37
ORAÇÃO DE UM SERVO INÚTIL...

Ó TU, MEU REFÚGIO E MINHA FORÇA...

“Dirigiu-Se a um lugar deserto”

Ó Tu, meu refúgio e minha força, leva-me, como outrora levaste o teu servo Moisés, ao interior do teu deserto, ao lugar onde a sarça arde sem se consumir (cf Ex 3), onde a alma, invadida pelo fogo do Espírito Santo, se torna ardente sem se consumir, mas purificando-se.

Leva-me a esse lugar onde não é possível permanecer e por onde não se avança sem antes se terem desatado as correias dos entraves carnais, onde Aquele que é não Se deixa certamente ver tal como é, mas onde, no entanto, se pode ouvi-Lo dizer: “Eu sou Aquele que sou!” Nesse lugar, temos de cobrir o rosto para não ver o Senhor face a face (1Rs 19,13), mas também temos de nos esforçar por escutar com humildade e obediência, para discernir o que Deus nos diz no interior do coração.

Enquanto espero, esconde-me, Senhor, no recôndito da tua tenda (Sl 26,5) no dia da desgraça; esconde-me ao abrigo da tua face longe das línguas provocadoras (Sl 30,21), porque me impuseste o teu jugo suave e o teu fardo leve (Mt 11,30). E, quando me fazes medir a distância entre o teu serviço e o do mundo, com voz terna e doce me perguntas se é mais agradável servir-Te a Ti, o Deus vivo, do que a deuses estranhos (2Cr 12,8). Então, eu adoro essa mão que pesa sobre mim e exclamo: “Já me dominaram por demasiado tempo outros mestres, que não Tu! Só a Ti desejo pertencer, porque o teu braço me mantém erguido!”[1]

Paz e Bem!

 

 


[1] Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense - Meditações


Publicado por Frei Fernando Maria em 02/09/2015 às 10h37
 
28/08/2015 10h22
A NOSSA GLÓRIA É O TESTEMUNHO DE NOSSA CONSCIÊNCIA...

A NOSSA GLÓRIA É O TESTEMUNHO DE NOSSA CONSCIÊNCIA...

“As nossas lâmpadas estão acesas ou a se apagar?”

“As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias.” O azeite designa aqui o esplendor da glória; as almotolias (recipientes) são os nossos corações, onde guardamos todos os nossos pensamentos. As virgens prudentes levam azeite nas almotolias, porque guardam na sua consciência todo o esplendor da sua glória, como diz São Paulo: “O que faz a nossa glória é o testemunho da nossa consciência” (2Cor 1,12). As virgens loucas, pelo contrário, não levam azeite consigo porque não guardam a sua glória no segredo do coração, isto é, fazem-na depender dos louvores dos outros.

“No meio da noite ouviu-se um brado: ‘Aí vem o esposo; ide ao seu encontro’.” Todas as virgens se levantaram. Mas as candeias das virgens loucas apagaram-se, porque as suas obras, que de fora pareciam resplandecentes aos olhos dos homens, por dentro não eram mais do que trevas; e não receberam de Deus nenhuma recompensa, considerando que já tinham recebido dos homens os louvores que as satisfaziam.[1]

Paz e Bem!

 

[1] São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja - Homilias sobre os Evangelhos, 12


Publicado por Frei Fernando Maria em 28/08/2015 às 10h22
 
24/08/2015 10h18
ELE SABE E CONHECE O CAMINHO DA VIDA...

ESTE HOMEM SABE TUDO DE MIM, ELE SABE E CONHECE O CAMINHO DA VIDA...

Natanael-Bartolomeu reconhece o Messias, Filho de Deus...

O evangelista João refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se, exclama: “Aí vem um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento” (Jo 1,47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo: “Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano” (Sl 32,2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração: “Donde me conheces?” (Jo 1,48). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz: “Antes de Filipe te chamar, Eu te vi quando estavas debaixo da figueira!” (Jo 1,48).

Não sabemos o que aconteceu debaixo desta figueira, mas é evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende: este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo: “Rabi, Tu és o filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!”. (Jo 1,49).

Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael sublinham um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus: Ele é reconhecido, quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho Unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado.

Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes; porque, se proclamarmos apenas a dimensão celeste de Jesus, corremos o risco de transformá-lo num ser sublime e evanescente, e se, ao contrário, reconhecermos apenas a sua situação concreta na história, acabamos por negligenciar a dimensão divina que propriamente O qualifica.[1]

Paz e Bem!

[1] Bento XVI, papa de 2005 a 2013 - Audiência geral de 04/10/2006 (© Libreria Editrice Vaticana; rev)


Publicado por Frei Fernando Maria em 24/08/2015 às 10h18



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