FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
17/01/2017 10h57
TENDE FÉ EM CRISTO E PERFEITA CARIDADE...

TENDE FÉ EM CRISTO E PERFEITA CARIDADE...

Esforçai-vos por vos reunir mais frequentemente para dar graças a Deus e louvá-lo. Pois quando vos congregais com maior frequência, as forças de Satanás são abaladas e pela concórdia de vossa fé é vencida a morte que ele traz consigo. Nada é preferível à paz que acaba com toda guerra, celeste e terena. Nada vos faltará, se tiverdes em Jesus Cristo perfeita fé e caridade, que são o princípio e o termo da vida: o princípio é a fé; a caridade, o termo. As duas, bem unidas, são o próprio Deus; tudo o mais que pertença à perfeição humana lhes está ligado.

Ninguém que professe a fé pode pecar, nem o que possui a caridade consegue odiar. Conhece-se a árvore por seus frutos. Igualmente, o que se declara de Cristo, será reconhecido por suas obras. Não se trata agora de declarações, mas de perseverança na virtude da fé até o fim. Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois só um é o mestre que disse e tudo foi feito; mas também, tudo quanto ele fez em silêncio é digno do Pai.

Quem possui a palavra de Jesus pode, em verdade, ouvir o seu silêncio, a fim de ser perfeito, agir como fala e ser conhecido quando silencia. Ao Senhor nada se esconde, até nossos segredos mais íntimos lhe estão próximos. Façamos, então, todas as coisas, em sua presença, visto que somos os seus templos. Que ele seja em nós o nosso Deus, ele que é e aparecerá a nossos olhos na justa medida do nosso amor.

Não vos enganeis, meus irmãos, os perturbadores da família não herdarão o reino de Deus. Se pereceram aqueles que assim agiam, segundo a carne, quanto mais aquele que corromper a fé em Deus com doutrinas falsas, pela qual Jesus Cristo foi crucificado? Este tal, tornado impuro, irá para o fogo inextinguível, juntamente com quem o escutar.

Na cabeça o Senhor recebeu a unção do óleo para que a Igreja espalhe o perfume da incorrupção. Não aceiteis a unção de péssimo odor da doutrina do príncipe deste mundo. Que não aconteça levar-vos cativos para longe da vida prometida! Por que não somos todos verdadeiramente prudentes, nós, os que recebemos o conhecimento de Deus, isto é, Jesus Cristo? Por que loucamente perecer, por não reconhecermos o dom enviado pelo Senhor? Meu espírito está pregado na cruz, escândalo para os incrédulos, salvação e vida eterna para nós.[1]

Paz e Bem!


[1] Da Carta aos Efésios, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir

(Nn.13-18,1:Funk1,183-187)(Séc.I)


Publicado por Frei Fernando Maria em 17/01/2017 às 10h57
 
12/01/2017 11h34
SÃO FRANCISCO E O CONVÍVIO COM OS LEPROSOS...

SÃO FRANCISCO E O CONVÍVIO COM OS POBES...

«Jesus, compadecido, estendeu a mão e tocou-lhe»

Certo dia em que passeava a cavalo na planície que fica perto de Assis, Francisco cruzou-se inesperadamente com um leproso. Teve um sentimento de horror intenso, mas, lembrando-se da resolução de vida perfeita que tomara, e de que devia, antes de mais, vencer-se a si mesmo, se queria ser «soldado de Cristo» (2Tim 2,3), saltou do cavalo para abraçar o infeliz. Este, que estendia a mão pedindo uma esmola, recebeu um beijo como dinheiro. Em seguida, Francisco voltou a montar o cavalo. Mas, por muito que olhasse para um lado e para o outro, não viu o leproso. Cheio de admiração e de alegria, pôs-se a cantar louvores ao Senhor e prometeu não se deter neste ato de generosidade. […]

Abandonou-se então ao espírito de pobreza, ao gosto da humildade e aos impulsos de uma piedade profunda. Se até então a simples visão de um leproso o fazia estremecer de horror, passou a fazer-lhes todos os favores possíveis, com perfeita despreocupação por si mesmo, sempre humilde e muito humano; fazia-o por causa de Cristo crucificado que, nas palavras do profeta, «foi desprezado como um leproso» (Is 53,3).

Ia visitá-los com frequência, dava-lhes esmolas e, emocionado de compaixão, beijava-lhes afetuosamente as mãos e o rosto. E aos mendigos, não se contentando em lhes dar o que tinha, quereria dar-se a si mesmo – de maneira que, quando não levava dinheiro consigo, dava-lhes as suas vestes, descosendo-as ou rasgando-as para as distribuir.

Foi por esta altura que realizou a peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, em Roma. Quando viu os mendigos que fervilhavam no chão da basílica, levado pela compaixão e atraído pelo amor da pobreza, escolheu um dos mais miseráveis, propôs-lhe trocar as suas vestes pelos farrapos com que o homem se cobria, e passou todo o dia na companhia dos pobres, com a alma cheia de uma alegria que nunca, até então, conhecera.[1]

Paz e Bem!

[1] São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja

Vida de S. Francisco, Legenda Major 1, 5-6


Publicado por Frei Fernando Maria em 12/01/2017 às 11h34
 
09/09/2016 08h08
NASCIMENTO DE MARIA SANTÍSSIMA

MARIA, A NOVA EVA...

Alegra-te, Adão, nosso pai, e, sobretudo tu, Eva, nossa mãe. Vós que fostes, ao mesmo tempo, nossos pais e nossos assassinos; vós que nos destinastes à morte ainda antes de nos terdes dado a luz, consolai-vos agora. Uma das vossas filhas “e que filha vos consola”. [...] Vem, pois, Eva, corre para junto de Maria. Que a mãe recorra à filha, pois a filha responderá pela mãe e apagará a sua falta. [...] Porque a razão humana será agora elevada por uma mulher.

Que dizia Adão? «A mulher que me deste ofereceu-me o fruto da Árvore e eu comi» (Gn 3,12). Palavras vis, que agravaram a sua falta em vez de a apagarem. Mas a divina Sabedoria triunfou sobre tanta malícia: no tesouro da sua inesgotável bondade, Deus encontra agora aquela ocasião de perdoar que tinha tentado, em vão, fazer nascer ao interrogar Adão. A primeira mulher substituída por outra, uma mulher sábia no lugar da insensata, uma mulher humilde tanto quanto a outra era orgulhosa.

Em vez do fruto da árvore da morte, ela apresenta aos homens o pão da vida, substituindo aquele alimento amargo e envenenado pela doçura dum alimento eterno. Transforma, pois, Adão, a tua acusação injusta numa expressão de agradecimento, e diz: “Senhor, a mulher que me deste ofereceu-me o fruto da árvore da vida. Comi dele e o seu sabor foi para mim mais delicioso que o mel (Sl 18,11), porque por este fruto me devolveste a vida”. Foi por isso que o anjo foi enviado a uma virgem. “Virgem admirável, digna de todas as honras”, mulher que temos de venerar infinitamente entre todas as mulheres, tu reparaste a falta dos nossos primeiros pais, tu deste vida a toda a sua descendência.[1]

Paz e Bem!

 


[1] São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja

Louvores da Virgem Maria: homilia 2


Publicado por Frei Fernando Maria em 09/09/2016 às 08h08
 
26/07/2016 11h44
CREIO NA IGREJA UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA...

CREIO NA IGREJA UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

A Igreja é santa aos olhos da fé, indefectivelmente Santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para santificá-la, uniu-a a Si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus. A Igreja é, pois, o povo santo de Deus, e os seus membros são chamados «santos» (1Cor 6, 1). [...] A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e nele toma-se também santificante. [...] É nela que nós adquirimos a santidade pela graça de Deus. [...]

Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir. [...] «Enquanto Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» (Lumen Gentium, 42) Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos.

A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação. A Igreja é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem no pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo.[1]

Paz e Bem!

 


[1] Catecismo da Igreja Católica - §§ 823-827


Publicado por Frei Fernando Maria em 26/07/2016 às 11h44
 
14/06/2016 12h05
"VÓS SOIS O SAL DA TERRA... VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO..."

“VÓS SOIS O SAL DA TERRA... VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO.”

Dado que a Igreja é toda ela missionária, e que a obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus, o sagrado Concílio exorta todos a uma profunda renovação interior, para que tomem viva consciência das próprias responsabilidades na difusão do Evangelho e assumam a parte que lhes compete na obra missionária junto dos gentios.

Como membros de Cristo vivo e a Ele incorporados, e configurados não só pelo batismo, mas também pela confirmação e pela eucaristia, todos os fiéis estão obrigados, por dever, a colaborar no crescimento e na expansão do seu corpo para levá-lo a atingir, quanto antes, a sua plenitude (Ef 4,13).

Por isso, todos os filhos da Igreja tenham consciência viva das suas responsabilidades para com o mundo, fomentem em si um espírito verdadeiramente católico, e ponham as suas forças ao serviço da obra da evangelização. Saibam todos, porém, que o primeiro e mais irrecusável contributo para a difusão da fé é viver profundamente a vida cristã. Pois o seu fervor no serviço de Deus e a sua caridade para com os outros é que hão de trazer a toda a Igreja o sopro de espírito novo que a fará aparecer como um sinal levantado entre as nações (Is 11,12), como «luz do mundo» (Mt 5,14) e «sal da terra» (Mt 5,13).[1]

Paz e Bem!

 


[1] Concílio Vaticano II - Decreto «Ad Gentes», sobre a atividade missionária da Igreja, 35-36


Publicado por Frei Fernando Maria em 14/06/2016 às 12h05



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