FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
14/01/2015 11h37
O QUE HAVERÁ DE MAIS ADMIRÁVEL DO QUE A BELEZA DIVINA?

O QUE HAVERÁ DE MAIS ADMIRÁVEL DO QUE A BELEZA DIVINA?

Da Regra mais longa, de São Basílio Magno, bispo

(Resp. 2,1: PG 31,908-910)(Séc.IV)

Possuímos inata capacidade de amar

O amor de Deus não é matéria de ensino nem de prescrições. Não aprendemos de outrem a alegrar-nos com a luz, ou a desejar a vida, ou a amar os pais ou educadores. Assim – ou melhor, com muito mais razão –, não se encontra o amor de Deus na disciplina exterior. Mas, quando é criado, o ser vivo, isto é, o homem, a força da razão foi, como semente, inserida nele, uma força que contém em si a capacidade e a inclinação de amar. Logo que entra na escola dos divinos preceitos, o homem toma conhecimento desta força, apresando-se em cultivá-la com ardor, nutri-la com sabedoria e levá-la à perfeição, com o auxílio de Deus.

Sendo assim, queremos provar vosso empenho em atingir este objetivo. Pela graça de Deus e contando com as vossas preces, nós nos esforçaremos, segundo a capacidade dada pelo Espírito Santo, por suscitar a centelha do amor divino escondida em vós.

Antes de mais nada, nós dele recebemos antecipadamente a força e a capacidade de pôr em prática todos os mandamentos que Deus nos deu. Por isso não nos aflijamos como se nos fosse exigido algo de incomum, nem nos tornemos vaidosos pensando que damos mais do que havíamos recebido. Se usarmos bem destas forças, levaremos uma vida virtuosa; no entanto, mal empregadas, cairemos no pecado.

Ora, o pecado se define como o mau uso, o uso contrário à vontade de Deus daquilo que ele nos deu para o bem. Pelo contrário, a virtude, como Deus a quer, é o desenvolvimento destas faculdades que brotam da consciência reta, segundo o preceito do Senhor.

O mesmo diremos da caridade. Ao recebermos o mandamento de amar a Deus, já possuímos capacidade de amar, plantada em nós desde a primeira criação. Não há necessidade de provas externas: cada qual por si e em si mesmo pode descobri-la. De fato, nós desejamos, naturalmente, as coisas boas e belas, embora, à primeira vista, algumas pareçam boas e belas a uns e não a outros. Amamos também, sem ser necessário que nos ensinem nossos parentes e amigos e temos espontaneamente grande amizade por nossos benfeitores.

O que haverá, pergunto então, de mais admirável do que a beleza divina? Que coisa pode haver mais suave e deliciosa do que a meditação da magnificência de Deus? Que desejo será mais veemente e violento do que aquele inserido por Deus na alma liberta de toda impureza e que lhe faz dizer do fundo do coração: Estou ferida de amor? É na verdade totalmente indescritível o fulgor da beleza de Deus.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 14/01/2015 às 11h37
 
09/01/2015 10h56
JESUS CURA UM LEPROSO...

NELE, NADA SEPARA O QUERER DO REALIZAR: “QUERO, FICA CURADO”

 

Santo Antônio de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja

Sermões para o domingo e as festas dos santos

«Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: "Quero, fica purificado".»

Oh, como admiro esta mão! Esta mão do meu amado, de ouro engastado de rubis (Cant 5,14). Esta mão cujo contato solta a língua do mudo, ressuscita a filha de Jairo (Mc 7,33; 5,41) e purifica o leproso. Esta mão da qual o profeta Isaías nos diz: «Todas estas coisas fez a minha mão» (Is 66,2).

Estender a mão é dar um presente. Ó Senhor, estende a tua mão – essa mão que o carrasco estendera sobre a cruz –, toca o leproso e concede-lhe essa graça. Tudo aquilo em que a tua mão tocar será purificado e curado: «e tocando na orelha do servo», diz São Lucas, «curou-o» (Lc 22,51). Estende a mão para concederes ao leproso o dom da saúde. Ele diz: «Quero, fica purificado» e imediatamente a lepra se cura; «faz tudo o que Lhe apraz» (Sl 113B,3). Nele, nada separa o querer do realizar.

Ora, esta cura instantânea opera-a Deus cada dia na alma do pecador pelo ministério do sacerdote. Este tem um triplo ofício: estender a mão, quer dizer, rezar pelo pecador e ter piedade dele; tocar-lhe, consolá-lo, prometer-lhe o perdão; querer esse perdão e dar-lhe através da absolvição. Tal é o triplo ministério pastoral que o Senhor confiou a Pedro, quando lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21,15-17).

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 09/01/2015 às 10h56
 
22/11/2014 08h50
CREIO...

CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE, NA VIDA ETERNA. AMÉM!

São Justino (c. 100-160), filósofo, mártir - Tratado sobre a Ressurreição, 8

«Ele não é Deus de mortos, mas de vivos»

A carne é preciosa aos olhos de Deus, Ele prefere-a entre todas as suas obras; é por isso normal que a salve. […] Não seria absurdo que o que foi criado com tantos cuidados, aquilo que o Criador considera mais precioso do que o resto, regressasse ao nada?

Quando um escultor ou um pintor querem que as imagens que criaram permaneçam para servir a sua glória, restauram-nas quando se degradam. E Deus veria o seu bem, a sua obra, regressar ao nada, deixar de existir? Chamaríamos «operário do inútil» àquele que construísse uma casa para a destruir em seguida ou que a deixasse deteriorar-se quando a pode restaurar. Do mesmo modo, não acusaríamos Deus de criar a carne inutilmente? Mas não, o Imortal não é assim; Aquele que é por natureza o Espírito do universo não é insensato! […] Na verdade, Deus chama a carne a renascer e promete-lhe a vida eterna.

Pois quando se anuncia a Boa Nova da salvação do homem, anuncia-se essa Boa Nova também para a carne. Com efeito, o que é o homem senão um ser vivo dotado de inteligência, composto por uma alma e um corpo? A alma, só por si, faz o homem? Não, ela é a alma de um homem. Chama-se «homem» ao corpo? Não, diz-se que é um corpo de homem. Por isso, se nenhum destes dois elementos por si só é o homem, é à união dos dois que se chama «o homem». Ora, foi o homem que Deus chamou à vida e à ressurreição; não uma parte dele, mas o homem inteiro, ou seja, a alma e o corpo. Não seria então absurdo, uma vez que os dois existem segundo a mesma realidade e na mesma realidade, que um deles fosse salvo e o outro não?

Paz e Bem!

“Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará”. (Jo 8,32).

Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.


Publicado por Frei Fernando Maria em 22/11/2014 às 08h50
 
20/11/2014 09h46
ORAÇÃO AO BOM PASTOR JESUS CRISTO...

E POR CAUSA DE TUA VOZ, DÁ-ME A VIDA ETERNA...

Do Comentário sobre o Cântico dos Cânticos, de São Gregório de Nissa, bispo (Cap.2:PG 44,802)(Séc.IV)

Oração ao Bom Pastor

Onde apascentas, ó bom pastor, que carregas nos ombros todo o rebanho? (pois uma é a ovelha, a natureza humana que puseste sobre os ombros). Mostra-me o lugar da quietude, leva-me à erva boa e nutritiva, chama-me pelo nome e, assim, eu que sou ovelha, ouvirei tua voz; e por causa de tua voz, dá-me a vida eterna. Mostra-me a mim o amado de minha alma (Ct 1,6 Vulg.).

Chamo-te com esta expressão, porque teu nome supera todo outro nome e todo entendimento e nem a natureza racional toda inteira pode dizê-lo ou compreendê-lo. Por isto teu nome, pelo qual se conhece tua bondade, é o bem-querer de minha alma para contigo. Como não te amar a ti que amaste minha alma, embora ainda manchada, a tal ponto que deste a vida pelas ovelhas que apascentas? Impossível imaginar maior amor que o trocar tua vida por minha salvação.

Ensina-me onde apascentas (cf. Ct. 1,7). Encontrando o campo saudável, tomarei o alimento celeste; porque quem dele não se nutre não pode entrar na vida eterna. Correrei à fonte, beberei da água divina que tu proporcionas aos sedentos. Igual à fonte, deixas correr água de teu lado, veio aberto pela lança; para quem beber, ela se tornará fonte de água a jorrar para a vida eterna (cf. Jo 4,14).

Se me apascentares deste modo, far-me-ás deitar ao meio-dia, quando, dormindo logo na paz, repousarei na luz sem sombras. O meio-dia não tem sombra, o sol cai a pino; nesta luz, fazes deitar aqueles que alimentaste, ao pores teus filhos contigo no quarto. Ninguém será considerado digno deste repouso meridiano, se não for filho da luz e filho do dia. Quem se separa igualmente das trevas vespertinas e matutinas, quer dizer, de onde começa e de onde termina o mal, está no meio-dia e, para nele deitar-se, ali o colocará o sol da justiça.

Mostra-me, pois, como repousar e ser apascentada e qual é o caminho para a quietude meridiana. Não aconteça que, escapando-me da guia de tua mão, pela ignorância da verdade, venha a reunir-me com rebanhos estranhos aos teus.

Falou assim, solícita pela beleza que lhe veio de Deus e desejosa de entender de que modo e para sempre a felicidade existe.

Paz e Bem!

 

 


Publicado por Frei Fernando Maria em 20/11/2014 às 09h46
 
18/11/2014 14h58
"Ó MEU DEUS! COMO É GRANDE A VOSSA MISERICÓRDIA...

Ó MEU DEUS! COMO É GRANDE A VOSSA MISERICÓRDIA PARA COM OS PECADORES!

São João Maria Vianney (1786-1859), presbítero, cura de Ars - Sermão para o terceiro domingo depois de Pentecostes

«O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido»

Não contente em nos chamar a Si pela sua graça, e nos fornecer todos os meios para nos santificarmos, vede como Jesus Cristo corre atrás das suas ovelhas perdidas; vede como percorre as cidades e os campos para as procurar e as trazer para o local da sua misericórdia. Vede como deixa os seus apóstolos para ir ao encontro da Samaritana no poço de Jacó, aonde sabia que ela viria (Jo 4,6ss). […] Vede-O em casa de Simão, o leproso: não é para comer que lá vai, é porque sabia que ali viria uma Madalena pecadora (Mc 14,3ss). […] Vede-o tomar a estrada para Cafarnaum, para ir ao encontro de outro pecador no seu ofício, Mateus, e para fazer dele um apóstolo zeloso (Mt 9,9).

Perguntai-Lhe porque tomou a estrada para Jericó: Ele vos dirá que há um homem chamado Zaqueu, que é considerado um pecador público, e que Ele quer ir ver se pode salvá-lo. Para fazer dele um arrependido perfeito, faz como um bom pai que perdeu o filho, e chama-o: «Zaqueu, desce daí; porque hoje quero ficar em tua casa. Acabei de te conceder uma graça.» É como se lhe dissesse: «Zaqueu, deixa esse orgulho e esse apego às coisas deste mundo; desce, escolhe a humildade e a pobreza.» Para tornar isto claro, disse aos que estavam com ele: «Hoje chegou a salvação a esta casa.» Ó meu Deus! Como é grande a vossa misericórdia para os pecadores! […]

Depois de tudo o que vemos que Jesus Cristo fez para nos salvar, como podemos desesperar da sua misericórdia, uma vez que a sua maior alegria é perdoar-nos? Assim, por muitos que sejam os nossos pecados, se queremos deixá-los e arrepender-nos deles, temos a certeza do perdão.

Paz e Bem!

***

“Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”. (Hb 4,16).

***


Publicado por Frei Fernando Maria em 18/11/2014 às 14h58



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