FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
27/10/2014 12h31
SÓ SE AMA PERFEITAMENTE QUEM AMA A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS...

UMA QUESTÃO DE AMOR: Só ama perfeitamente quem ama a Deus sobre todas as coisas...

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja

Sermão inédito sobre a carta de São Tiago

Deus não te pede muitas coisas porque, por si mesma, a caridade é o pleno cumprimento da Lei (Rom 13,10). Mas este amor é duplo: amor a Deus e amor ao próximo. […] Quando Deus te manda amar o próximo, não te diz: ama-o com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente; mas diz-te: ama o teu próximo como a ti mesmo. Portanto, ama a Deus com todo o teu ser, porque Ele é maior do que tu; ama o teu próximo como a ti mesmo, porque ele é como tu. […]

Mas, se há três objetos do nosso amor, porque há apenas dois mandamentos? Vou dizer-te: Deus não julgou necessário encarregar-te de te amares a ti próprio porque não há ninguém que não se ame a si mesmo. Mas muita gente se perde porque se ama mal. Ao mandar-te amá-Lo com todo o teu ser, Deus deu-te a regra segundo a qual deves amar. Queres amar-te? Então ama a Deus com todo o teu ser. Com efeito, é Nele que te encontrarás, evitando assim perderes-te em ti. […] Deste modo é te dada a regra segundo a qual deves amar-te: ama Aquele que é maior do que tu e amar-te-ás a ti mesmo [e ao teu próximo como a ti mesmo].

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 27/10/2014 às 12h31
 
18/10/2014 10h34
AS SAGRADAS ESCRITURAS...

AS SAGRADAS ESCRITURAS SÃO O PARAÍSO E FONTE QUE DEUS PLANTOU EM NOSSAS ALMAS PELO SANTO BATISMO...

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja - 3ª Homilia sobre a inscrição dos Atos dos Apóstolos; PG 51,87

São Lucas, evangelista: «Resolvi […] expor-vos por escrito» (1,3)

A leitura das Sagradas Escrituras é um prado espiritual e um paraíso de delícias, bem mais agradável do que o Paraíso de outrora. Deus não plantou este paraíso na terra, mas nas almas dos fiéis. Não o plantou no Éden nem no Oriente, num local específico (cf. Gn 2,8), mas espalhou-o por todo o mundo, até aos confins da terra habitada. E, uma vez que compreendes que ele espalhou as Sagradas Escrituras por toda a terra habitada, escuta o profeta que diz: «Por toda a terra caminha o seu eco, até aos confins do universo a sua palavra» (Sl 18,5; Rom 10,18). […]

Este paraíso também tem uma fonte, como o de outrora (Gn 2,6.10), fonte de onde nascem inúmeros rios. […] Quem o diz? O próprio Deus, que nos dá todos estes rios: «Do seio daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva, como diz a Escritura» (Jo 7,38). […] Esta fonte é incomparável, não apenas pela sua abundância, mas também pela sua natureza; com efeito, dela não jorram rios de água, mas os dons do Espírito. Esta fonte divide-se por todas as almas dos fiéis, mas não fica por isso diminuída: divide-se, mas não se esgota. […] Inteira em nós e inteira em cada um: tais são, com efeito, os dons do Espírito.

Queres saber qual é a abundância destes rios? Queres saber a natureza destas águas? Em que é que elas são diferentes das águas aqui da terra, porque são melhores e mais magníficas? Escuta novamente Cristo, quando fala com a Samaritana, e compreenderás a abundância da fonte: «Porque a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna» (Jo 4,14). […] Também queres conhecer a sua natureza? Utiliza-a! Na verdade, ela não é útil para a vida aqui na terra, mas sim para a vida eterna. Passemos, pois, o nosso tempo neste paraíso: sejamos convidados a beber desta nascente.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 18/10/2014 às 10h34
 
15/10/2014 10h15
NÃO JULGUEIS E NÃO SEREIS JULGADOS...

NÃO JULGUEIS...

Ditos dos Padres do Deserto (séculos IV e V)

Coleção sistemática, cap. 9; SC 387

«Ai de vós porque carregais os homens com fardos insuportáveis»

Um irmão que tinha pecado foi expulso da igreja pelo padre; o abba Bessarion levantou-se e saiu com ele, dizendo: «Eu também sou pecador.» […]

Um irmão pecou uma vez em Cétia. Realizou-se um conselho, para o qual convocaram o abba Moisés. Mas este recusou-se a vir. Então o padre mandou dizer-lhe: «Vem, porque estão todos à tua espera.» Ele levantou-se e apareceu com um cesto cheio de buracos, que enchera de areia e trazia às costas. Os outros, vindo ao seu encontro, perguntaram-lhe: «O que é isso, padre?» O velho respondeu: «Os meus pecados escoam atrás de mim e eu venho aqui hoje para julgar os pecados de outros?» Ouvindo isto, eles não disseram nada ao irmão, mas perdoaram-lhe.

O abba Joseph pediu ao abba Poemen: «Diz-me como hei de tornar-me monge.» O velho respondeu-lhe: «Se quiseres encontrar tranquilidade aqui e no mundo que há de vir, diz em todas as ocasiões: Quem sou eu? E não julgues ninguém.»

Um irmão perguntou ao abba Poemen: «Se vir um pecado do meu irmão, é correto escondê-lo?» O velho respondeu-lhe: «Quando escondemos os pecados dos nossos irmãos, também Deus esconde os nossos, e quando expomos os pecados dos nossos irmãos, também Ele expõe os nossos.»

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 15/10/2014 às 10h15
 
14/10/2014 07h59
À VÓS, Ó DEUS, VOS DOU TODO O MEU CORAÇÃO!

À VÓS, Ó DEUS, VOS DOU TODO O MEU CORAÇÃO!

Santo Afonso-Maria de Ligório (1696-1787), bispo, doutor da Igreja - 6º Discurso para a novena de Natal

Um coração que verdadeiramente se dá a Deus...

Compreendamos bem isto, o nosso coração pertencerá completamente a Deus a partir do dia em que por Ele renunciarmos a todas as nossas vontades, a partir do dia em que apenas quisermos o que Ele quer. Este Deus, de resto, só quer o nosso bem e a nossa felicidade. «Cristo morreu», diz o apóstolo Paulo, «para ser o Senhor dos vivos e dos mortos. Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos» (Rom 14, 8-9). Jesus quis morrer por nós; que mais podia Ele ter feito para conquistar o nosso amor e Se tornar o único Dono do nosso coração? Cabe-nos, portanto, doravante, mostrar ao céu e à Terra, com a nossa vida e com a nossa morte, que já não nos pertencemos a nós, mas que somos inteiramente posse do nosso Deus, dele apenas.

O quanto Deus deseja ver um coração que verdadeiramente se dá por completo a Ele! Com que amor ardente não o amará! Quantos sinais de ternura não lhe prodigalizará, já aqui, nesta vida na Terra! Quantos bens, quanta felicidade, quanta glória não lhe preparará nos céus! […]

Almas fiéis! Caminhemos ao encontro de Jesus; se Ele tem a felicidade de nos possuir, temos nós a de O possuir a Ele: a troca é muito mais vantajosa para nós do que para Ele. «Teresa», disse um dia o Senhor a esta santa [de Ávila], «não tinhas sido, até aqui, completamente minha; agora que és integralmente minha, fica a saber que Eu sou teu completamente.» […] Deus arde de um desejo extremo de Se unir a nós; mas é preciso que também nós zelemos no cuidado de nos unirmos a Deus.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 14/10/2014 às 07h59
 
12/09/2014 10h34
"ENTÃO VERÁS..."

ENTÃO VERÁS”...

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja - Sermão 3, 2.4-5 (Breviário, 09/06)

Fazei resplandecer, Senhor, o dia luminoso da vossa ciência e dissipai as trevas noturnas da nossa alma, para que seja iluminada e Vos sirva renovada e pura. O nascer do sol assinala aos mortais o começo das suas labutas; adornai, Senhor, a morada da nossa alma, para que nela permaneça o esplendor daquele dia que não tem fim.

Fazei, Senhor, que cheguemos a contemplar em nós mesmos a vida da ressurreição, e que nada consiga apartar o nosso espírito das vossas alegrias. Imprimi, Senhor, em nossos corações o sinal daquele dia que não se rege pelo movimento do sol, infundindo-nos uma constante orientação para Vós.

Todos os dias Vos abraçamos nos sacramentos e Vos recebemos no nossos corpos; tornai-nos dignos de sentir em nós mesmos a ressurreição que esperamos. Com a graça do batismo conservamos escondido no nosso corpo o tesouro que nos destes, esse tesouro que aumenta na mesa dos vossos sacramentos; fazei-nos viver sempre na alegria da vossa graça.

Nós Vos pedimos que, através daquela beleza espiritual que a vossa vontade imortal faz resplandecer, mesmo nas criaturas mortais, nos leveis a compreender retamente a beleza da nossa própria dignidade. […]

A vossa ressurreição, ó Jesus, faça crescer em nós o homem espiritual e os sinais dos vossos sacramentos no-lo revelem como num espelho, para o conhecermos cada vez melhor. […] Concedei, Senhor, que caminhemos velozmente para a nossa pátria celeste e, como Moisés no alto do monte, a possamos desde já contemplar através da Revelação.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 12/09/2014 às 10h34



Página 17 de 187 « 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 » [«anterior] [próxima»]

Site do Escritor criado por Recanto das Letras