FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
20/03/2014 07h30
DEUS OLHA PARA O INTERIOR DO CADA UM DE NÓS...

«DEUS OLHA O CORAÇÃO» (1Sam 16,7).

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja - Discursos sobre os salmos, Sl 85; CCL 39, 1178

 

Terá o pobre sido recebido pelos anjos unicamente devido ao mérito da sua pobreza? E terá o rico sido enviado para o lugar dos tormentos apenas por culpa da sua riqueza? Não: é preciso entender que foi a humildade que foi premiada no caso do pobre e o orgulho condenado no caso do rico.

Eis a prova de que não foi a riqueza, mas o orgulho que levou a que o rico fosse castigado. O pobre foi levado para o seio de Abraão; mas as Escrituras dizem de Abraão que ele tinha muito ouro e prata e que era rico na terra (Gn 13,2). Se todos os ricos são enviados para o lugar dos tormentos, como pôde Abraão receber o pobre no seu seio? Acontece que Abraão, com toda a sua riqueza, era pobre, humilde, respeitador e obedecia a todas as ordens de Deus. Ele tinha a sua riqueza em tão pouca conta que, quando Deus lho pediu, aceitou oferecer em sacrifício o filho a quem destinava essa riqueza (Gn 22,4).

Aprendei, pois, a ser pobres e ter necessidades, quer possuais alguma coisa neste mundo quer não possuais nada. Porque encontramos mendigos cheios de orgulho e ricos que confessam os seus pecados. «Deus resiste aos orgulhosos», estejam eles cobertos de seda ou de trapos, «mas dá a sua graça aos humildes» (Tg 4,6), quer eles possuam, ou não, bens deste mundo. Deus olha para o interior; é aí que avalia, aí que examina.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 20/03/2014 às 07h30
 
18/03/2014 09h35
TODOS DEVEMOS AGARRAR-NOS A DEUS PELA ORAÇÃO...

O MEU SEGREDO É SIMPLES: REZO...

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade - No Greater Love

«Quem se humilhar será exaltado»

Não creio que haja alguém que precise tanto do socorro e da graça de Deus como eu. Por vezes sinto-me muito desarmada e fraca. E acredito que é por isso que Deus Se serve de mim. Uma vez que não posso contar com as minhas próprias forças, volto-me para Ele vinte e quatro horas por dia. E se o dia tivesse mais horas precisaria também da sua graça durante essas horas. Todos devemos agarrar-nos a Deus pela oração. O meu segredo é muito simples: rezo. Pela oração, uno-me a Cristo pelo amor. Compreendi que rezar é amá-Lo. […]

As pessoas têm fome da Palavra de Deus que traz a paz, traz a união, traz a alegria. Mas não podemos dar o que não temos. É por isso que devemos aprofundar a nossa vida de oração. Sê sincero nas tuas orações. A sinceridade é a humildade e a humildade só se adquire aceitando as humilhações. Tudo o que foi dito sobre a humildade não é suficiente para te ensinar. Tudo o que leste sobre a humildade não chega para te ensinar. Só se aprende a humildade aceitando as humilhações, e encontrarás humilhações ao longo de toda a tua vida. A maior das humilhações é saber que não somos nada; eis o que aprendemos quando nos encontramos frente a Deus na oração.

Por vezes, um olhar profundo e fervoroso para Cristo constitui a melhor das orações: olho-O e Ele olha-me. Neste face a face com Deus, só sabemos que não somos nada e que não temos nada. Porque a Deus tudo pertence, até o que não imaginamos.

Paz e Bem!

©Evangelizo.org 2001-2014

 


Publicado por Frei Fernando Maria em 18/03/2014 às 09h35
 
13/03/2014 10h04
DIANTE DE VÓS, SENHOR, SE ENCONTRA A MINHA ALMA...

DIANTE VÓS, SENHOR, ESTÃO OS MEUS DESEJOS...

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja

Comentários sobre os Salmos: Salmo 37 (Ofício de Leitura de 6ª feira da 3ª semana do Advento)

«Pedi, e ser-vos-á dado»

Escuta o que diz [o Salmista]: «Diante de Vós, Senhor, estão os meus desejos» (Sl 37,10). Não estão diante dos homens, que não podem ver o coração, mas «diante de Vós, Senhor». […] Esteja o teu desejo sempre na sua presença; e o Pai, «que vê o [que está] oculto, há de retribuir-te» (Mt 6,4). Porque o teu desejo é a tua oração. Se o teu desejo for contínuo, contínua será também a tua oração. Não foi em vão que disse o Apóstolo: «Orai sem cessar» (1Tess 5,17). Será preciso, então, estar continuamente de joelhos, prostrados, de mãos erguidas, para obedecer a este preceito: «orai sem cessar»? Se é isso que entendemos por orar, julgo que não podemos orar sem cessar.

Existe, porém, outra oração interior e contínua, que é o desejo. Nem que estejas ocupado a fazer outra coisa, se desejas o descanso eterno em Deus, não interrompes a oração. Se não queres interromper a oração, não interrompas o desejo. Se o teu desejo é contínuo, é contínua a tua voz. Calar-te-ás se deixares de amar. Quem é que se cala? Aqueles de quem foi dito: «Pela abundância da iniquidade resfriará o amor de muitos» (Mt 24,12). A frieza do amor é a mudez do coração, mas o fervor do amor é o clamor do coração. Se o amor permanece sempre (cf 1Cor 13,8), clamas sempre; se clamas sempre, desejas sempre; se desejas, recordas-te daquele descanso.

«Diante de Vós, Senhor, estão os meus desejos […] e não Vos são ocultos os meus gemidos» (Sl 37,10). […] A verdade é que, se permanece o desejo, permanece também o gemido. Nem sempre ele chega aos ouvidos dos homens, mas nunca deixa de chegar aos ouvidos de Deus.

Paz e Bem!

©Evangelizo.org 2001-2014 


Publicado por Frei Fernando Maria em 13/03/2014 às 10h04
 
06/03/2014 07h26
A QUARESMA É CAMINHO DE CRUZ POR ONDE SE CHEGA À RESSURREIÇÃO

A QUARESMA É CAMINHO DE CRUZ POR ONDE SE CHEGA À RESSURREIÇÃO

Papa Bento XVI

Audiência geral de 17/02/2010 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

«Se alguém quer vir após Mim»

O momento favorável e de graça da Quaresma mostra-nos o próprio significado espiritual através da antiga fórmula: «Recorda-te que és pó e ao pó tu hás de tornar», que o sacerdote pronuncia quando impõe sobre a nossa cabeça um pouco de cinza. Somos assim remetidos para o início da história humana, quando o Senhor disse a Adão, depois do pecado original: «Com o suor do teu rosto comerás o pão, enquanto não voltaras à terra, porque dela foste tirado: tu és pó e pó te hás de tornar!» (Gn 3, 19).

[…] O homem é pó e pó se há de tornar, mas é pó precioso aos olhos de Deus, porque Deus criou o homem destinando-o à imortalidade. Assim, a fórmula litúrgica «Recorda-te que és pó e ao pó te hás de tornar» encontra a plenitude do seu significado em referência ao novo Adão, Cristo. Também o Senhor Jesus quis partilhar livremente com cada homem o destino da fragilidade, sobretudo através da sua morte na cruz; mas felizmente esta morte, cheia do seu amor pelo Pai e pela humanidade, foi o caminho para a ressurreição gloriosa, através da qual Cristo Se tornou fonte de uma graça doada à quantos creem nele e são tornados partícipes da própria vida divina.

Esta vida que não terá fim já está a decorrer na fase terrena da nossa existência, mas será levada a cumprimento depois «da ressurreição da carne». O pequeno gesto da imposição das cinzas revela-nos a singular riqueza do seu significado: é um convite à percorrer o tempo quaresmal como uma imersão mais consciente e intensa no mistério pascal de Cristo, na sua morte e ressurreição, mediante a participação na Eucaristia e na vida de caridade que da Eucaristia nasce e na qual encontra o seu cumprimento. Com a imposição das cinzas renovamos o nosso compromisso de seguir Jesus, de nos deixarmos transformar pelo seu mistério pascal, para vencer o mal e praticar o bem, para fazer morrer o nosso «homem velho» ligado ao pecado e fazer nascer o «homem novo» transformado pela graça de Deus.

Paz e Bem!

©Evangelizo.org 2001-2014


Publicado por Frei Fernando Maria em 06/03/2014 às 07h26
 
05/03/2014 11h18
VINDE, FAZEI PENITÊNCIA, POIS O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO...

VINDE, FAZEI PENITÊNCIA, POIS O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIM...

São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja

Catequeses com vista ao batismo, n°1, 1.5

A Quaresma conduz ao batismo na vigília pascal, para o perdão dos pecados...

[«Convertei-vos e que cada um receba o batismo em nome de Jesus Cristo para o perdão dos seus pecados», At 2,38] Vós que ides ser batizados sois já discípulos da Nova Aliança e participantes nos mistérios de Cristo; já […] criastes «um coração novo e um espírito novo» (Ez 18,31), para alegria dos habitantes dos céus. […] Iniciastes uma bela viagem […]: o Filho único de Deus aí está, pronto para vos resgatar. «Vinde», diz Ele, «vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei» (Mt 11,28). Vós que andais acabrunhados e afligidos pelos vossos pecados, enredados nas malhas dos vossos erros (Pr 5,22), escutai o profeta: «Lavai-vos, purificai-vos; retirai da minha vista as vossas más ações» (Is 1,16), para que o coro dos anjos exclame: «Felizes aqueles cujos erros foram eliminados e o pecado removido!» (Sl 31,1) […]

É agora a época da confissão. Confessa os pecados que cometeste, por palavras ou por atos, de noite ou de dia. Confessa-te «neste tempo favorável» e, «no dia da salvação» (Is 49,8; 2Cor 6,2), recebe o tesouro do céu. […] Desembaraça-te de todas as preocupações humanas; ocupa-te da tua alma. […] Deixa o presente e crê no futuro […]: «Parai, reconhecei que Eu sou Deus» (Sl 45,11). […] Purifica o teu coração, para receberes a graça com mais abundância: o perdão dos pecados é dado a todos igualmente, mas a participação no Espírito Santo é concedida de acordo com a medida da fé de cada um. Se te esforçares pouco, pouco receberás; se trabalhares muito, o teu salário será grande. […]

Se tiveres razões de queixa contra alguém, perdoa. Aproxima-te do batistério para receberes o perdão dos teus pecados: sê, também tu, indulgente para com os pecadores. “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também. “Porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos também”. (Lc 6,36-38).

Paz e Bem!

©Evangelizo.org 2001-2014

 


Publicado por Frei Fernando Maria em 05/03/2014 às 11h18



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