FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
02/09/2015 10h37
ORAÇÃO DE UM SERVO INÚTIL...

Ó TU, MEU REFÚGIO E MINHA FORÇA...

“Dirigiu-Se a um lugar deserto”

Ó Tu, meu refúgio e minha força, leva-me, como outrora levaste o teu servo Moisés, ao interior do teu deserto, ao lugar onde a sarça arde sem se consumir (cf Ex 3), onde a alma, invadida pelo fogo do Espírito Santo, se torna ardente sem se consumir, mas purificando-se.

Leva-me a esse lugar onde não é possível permanecer e por onde não se avança sem antes se terem desatado as correias dos entraves carnais, onde Aquele que é não Se deixa certamente ver tal como é, mas onde, no entanto, se pode ouvi-Lo dizer: “Eu sou Aquele que sou!” Nesse lugar, temos de cobrir o rosto para não ver o Senhor face a face (1Rs 19,13), mas também temos de nos esforçar por escutar com humildade e obediência, para discernir o que Deus nos diz no interior do coração.

Enquanto espero, esconde-me, Senhor, no recôndito da tua tenda (Sl 26,5) no dia da desgraça; esconde-me ao abrigo da tua face longe das línguas provocadoras (Sl 30,21), porque me impuseste o teu jugo suave e o teu fardo leve (Mt 11,30). E, quando me fazes medir a distância entre o teu serviço e o do mundo, com voz terna e doce me perguntas se é mais agradável servir-Te a Ti, o Deus vivo, do que a deuses estranhos (2Cr 12,8). Então, eu adoro essa mão que pesa sobre mim e exclamo: “Já me dominaram por demasiado tempo outros mestres, que não Tu! Só a Ti desejo pertencer, porque o teu braço me mantém erguido!”[1]

Paz e Bem!

 

 


[1] Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense - Meditações


Publicado por Frei Fernando Maria em 02/09/2015 às 10h37
 
28/08/2015 10h22
A NOSSA GLÓRIA É O TESTEMUNHO DE NOSSA CONSCIÊNCIA...

A NOSSA GLÓRIA É O TESTEMUNHO DE NOSSA CONSCIÊNCIA...

“As nossas lâmpadas estão acesas ou a se apagar?”

“As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias.” O azeite designa aqui o esplendor da glória; as almotolias (recipientes) são os nossos corações, onde guardamos todos os nossos pensamentos. As virgens prudentes levam azeite nas almotolias, porque guardam na sua consciência todo o esplendor da sua glória, como diz São Paulo: “O que faz a nossa glória é o testemunho da nossa consciência” (2Cor 1,12). As virgens loucas, pelo contrário, não levam azeite consigo porque não guardam a sua glória no segredo do coração, isto é, fazem-na depender dos louvores dos outros.

“No meio da noite ouviu-se um brado: ‘Aí vem o esposo; ide ao seu encontro’.” Todas as virgens se levantaram. Mas as candeias das virgens loucas apagaram-se, porque as suas obras, que de fora pareciam resplandecentes aos olhos dos homens, por dentro não eram mais do que trevas; e não receberam de Deus nenhuma recompensa, considerando que já tinham recebido dos homens os louvores que as satisfaziam.[1]

Paz e Bem!

 

[1] São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja - Homilias sobre os Evangelhos, 12


Publicado por Frei Fernando Maria em 28/08/2015 às 10h22
 
24/08/2015 10h18
ELE SABE E CONHECE O CAMINHO DA VIDA...

ESTE HOMEM SABE TUDO DE MIM, ELE SABE E CONHECE O CAMINHO DA VIDA...

Natanael-Bartolomeu reconhece o Messias, Filho de Deus...

O evangelista João refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se, exclama: “Aí vem um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento” (Jo 1,47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo: “Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano” (Sl 32,2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração: “Donde me conheces?” (Jo 1,48). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz: “Antes de Filipe te chamar, Eu te vi quando estavas debaixo da figueira!” (Jo 1,48).

Não sabemos o que aconteceu debaixo desta figueira, mas é evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende: este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo: “Rabi, Tu és o filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!”. (Jo 1,49).

Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael sublinham um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus: Ele é reconhecido, quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho Unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado.

Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes; porque, se proclamarmos apenas a dimensão celeste de Jesus, corremos o risco de transformá-lo num ser sublime e evanescente, e se, ao contrário, reconhecermos apenas a sua situação concreta na história, acabamos por negligenciar a dimensão divina que propriamente O qualifica.[1]

Paz e Bem!

[1] Bento XVI, papa de 2005 a 2013 - Audiência geral de 04/10/2006 (© Libreria Editrice Vaticana; rev)


Publicado por Frei Fernando Maria em 24/08/2015 às 10h18
 
12/08/2015 07h41
NÃO IMPEÇAS A AÇÃO DO CRISTO TOTAL...

NÃO IMPEÇAS A AÇÃO DO CRISTO TOTAL

«Tudo o que ligares na terra será ligado no céu.»

Tudo se torna comum entre o Esposo e a esposa, isto é, entre Cristo e a sua Igreja, incluindo a honra de receber a confissão e o poder de perdoar os pecados; assim se explicam aquelas palavras: «Vai mostrar-te ao sacerdote» (Mt 8,4). [...] Por conseguinte, a Igreja nada pode perdoar sem Cristo, e Cristo nada quer perdoar sem a Igreja. A Igreja não pode perdoar senão a quem se arrepende, isto é, a quem Cristo tocou com a sua graça; e Cristo não quer perdoar a quem despreza a Igreja.

Cristo, que é todo-poderoso, tudo pode por Si mesmo: batizar, consagrar a Eucaristia, conferir o sacramento da ordem, perdoar os pecados, e tudo o mais; mas o Esposo, que é humilde e fiel, nada quer fazer sem a esposa. «Não separe o homem o que Deus uniu» (Mt 19,6). «É grande este mistério; mas eu interpreto-o em relação a Cristo e à Igreja» (Ef 5,32). [...] Não separes, portanto, a Cabeça do corpo (Col 1,18); não impeças a ação do Cristo total; porque nem Cristo é total sem a Igreja, nem a Igreja é total sem Cristo. O Cristo total e inteiro é a Cabeça e o corpo.[1]

Paz e Bem!

 


[1] Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense - Sermão 11


Publicado por Frei Fernando Maria em 12/08/2015 às 07h41
 
05/08/2015 07h46
SÓ A VONTADE DE DEUS NOS BASTA

SÓ A VONTADE DE DEUS NOS BASTA...

“Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Querer somente o que Deus quer é lógico para nós, que estamos verdadeiramente apaixonados por Ele. Fora dos seus desejos, nada desejamos e, se desejássemos, era apenas o que é conforme à sua vontade; se assim não fosse, a nossa vontade não estaria unida à sua. Mas, se estivermos verdadeiramente unidos, por amor, à sua vontade, não desejaremos nada que Ele não deseje, não amaremos nada que Ele não ame e, abandonados à sua vontade, ser-nos-á indiferente o que Ele nos envie ou onde nos coloque. Tudo o que Ele quiser de nós ser-nos-á, não apenas indiferente, mas, mais do que isso, agradável.

Não sei se me engano no que digo; submeto-me em tudo Àquele que entende estas coisas; digo somente o que sinto. Na verdade, não desejo mais nada a não ser amá-Lo e entrego tudo o resto nas suas mãos. Faça-se a sua vontade! Cada dia me sinto mais feliz, no meu completo abandono nas suas mãos.[1]

Paz e Bem!

 


[1] São Rafael Arnaiz Barón (1911-1938), monge trapista espanhol - Escritos espirituais 10/4/1938


Publicado por Frei Fernando Maria em 05/08/2015 às 07h46



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