FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
12/01/2017 11h34
SÃO FRANCISCO E O CONVÍVIO COM OS LEPROSOS...

SÃO FRANCISCO E O CONVÍVIO COM OS POBES...

«Jesus, compadecido, estendeu a mão e tocou-lhe»

Certo dia em que passeava a cavalo na planície que fica perto de Assis, Francisco cruzou-se inesperadamente com um leproso. Teve um sentimento de horror intenso, mas, lembrando-se da resolução de vida perfeita que tomara, e de que devia, antes de mais, vencer-se a si mesmo, se queria ser «soldado de Cristo» (2Tim 2,3), saltou do cavalo para abraçar o infeliz. Este, que estendia a mão pedindo uma esmola, recebeu um beijo como dinheiro. Em seguida, Francisco voltou a montar o cavalo. Mas, por muito que olhasse para um lado e para o outro, não viu o leproso. Cheio de admiração e de alegria, pôs-se a cantar louvores ao Senhor e prometeu não se deter neste ato de generosidade. […]

Abandonou-se então ao espírito de pobreza, ao gosto da humildade e aos impulsos de uma piedade profunda. Se até então a simples visão de um leproso o fazia estremecer de horror, passou a fazer-lhes todos os favores possíveis, com perfeita despreocupação por si mesmo, sempre humilde e muito humano; fazia-o por causa de Cristo crucificado que, nas palavras do profeta, «foi desprezado como um leproso» (Is 53,3).

Ia visitá-los com frequência, dava-lhes esmolas e, emocionado de compaixão, beijava-lhes afetuosamente as mãos e o rosto. E aos mendigos, não se contentando em lhes dar o que tinha, quereria dar-se a si mesmo – de maneira que, quando não levava dinheiro consigo, dava-lhes as suas vestes, descosendo-as ou rasgando-as para as distribuir.

Foi por esta altura que realizou a peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, em Roma. Quando viu os mendigos que fervilhavam no chão da basílica, levado pela compaixão e atraído pelo amor da pobreza, escolheu um dos mais miseráveis, propôs-lhe trocar as suas vestes pelos farrapos com que o homem se cobria, e passou todo o dia na companhia dos pobres, com a alma cheia de uma alegria que nunca, até então, conhecera.[1]

Paz e Bem!

[1] São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja

Vida de S. Francisco, Legenda Major 1, 5-6


Publicado por Frei Fernando Maria em 12/01/2017 às 11h34
 
09/09/2016 08h08
NASCIMENTO DE MARIA SANTÍSSIMA

MARIA, A NOVA EVA...

Alegra-te, Adão, nosso pai, e, sobretudo tu, Eva, nossa mãe. Vós que fostes, ao mesmo tempo, nossos pais e nossos assassinos; vós que nos destinastes à morte ainda antes de nos terdes dado a luz, consolai-vos agora. Uma das vossas filhas “e que filha vos consola”. [...] Vem, pois, Eva, corre para junto de Maria. Que a mãe recorra à filha, pois a filha responderá pela mãe e apagará a sua falta. [...] Porque a razão humana será agora elevada por uma mulher.

Que dizia Adão? «A mulher que me deste ofereceu-me o fruto da Árvore e eu comi» (Gn 3,12). Palavras vis, que agravaram a sua falta em vez de a apagarem. Mas a divina Sabedoria triunfou sobre tanta malícia: no tesouro da sua inesgotável bondade, Deus encontra agora aquela ocasião de perdoar que tinha tentado, em vão, fazer nascer ao interrogar Adão. A primeira mulher substituída por outra, uma mulher sábia no lugar da insensata, uma mulher humilde tanto quanto a outra era orgulhosa.

Em vez do fruto da árvore da morte, ela apresenta aos homens o pão da vida, substituindo aquele alimento amargo e envenenado pela doçura dum alimento eterno. Transforma, pois, Adão, a tua acusação injusta numa expressão de agradecimento, e diz: “Senhor, a mulher que me deste ofereceu-me o fruto da árvore da vida. Comi dele e o seu sabor foi para mim mais delicioso que o mel (Sl 18,11), porque por este fruto me devolveste a vida”. Foi por isso que o anjo foi enviado a uma virgem. “Virgem admirável, digna de todas as honras”, mulher que temos de venerar infinitamente entre todas as mulheres, tu reparaste a falta dos nossos primeiros pais, tu deste vida a toda a sua descendência.[1]

Paz e Bem!

 


[1] São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja

Louvores da Virgem Maria: homilia 2


Publicado por Frei Fernando Maria em 09/09/2016 às 08h08
 
26/07/2016 11h44
CREIO NA IGREJA UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA...

CREIO NA IGREJA UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

A Igreja é santa aos olhos da fé, indefectivelmente Santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para santificá-la, uniu-a a Si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus. A Igreja é, pois, o povo santo de Deus, e os seus membros são chamados «santos» (1Cor 6, 1). [...] A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e nele toma-se também santificante. [...] É nela que nós adquirimos a santidade pela graça de Deus. [...]

Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir. [...] «Enquanto Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» (Lumen Gentium, 42) Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos.

A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação. A Igreja é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem no pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo.[1]

Paz e Bem!

 


[1] Catecismo da Igreja Católica - §§ 823-827


Publicado por Frei Fernando Maria em 26/07/2016 às 11h44
 
14/06/2016 12h05
"VÓS SOIS O SAL DA TERRA... VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO..."

“VÓS SOIS O SAL DA TERRA... VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO.”

Dado que a Igreja é toda ela missionária, e que a obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus, o sagrado Concílio exorta todos a uma profunda renovação interior, para que tomem viva consciência das próprias responsabilidades na difusão do Evangelho e assumam a parte que lhes compete na obra missionária junto dos gentios.

Como membros de Cristo vivo e a Ele incorporados, e configurados não só pelo batismo, mas também pela confirmação e pela eucaristia, todos os fiéis estão obrigados, por dever, a colaborar no crescimento e na expansão do seu corpo para levá-lo a atingir, quanto antes, a sua plenitude (Ef 4,13).

Por isso, todos os filhos da Igreja tenham consciência viva das suas responsabilidades para com o mundo, fomentem em si um espírito verdadeiramente católico, e ponham as suas forças ao serviço da obra da evangelização. Saibam todos, porém, que o primeiro e mais irrecusável contributo para a difusão da fé é viver profundamente a vida cristã. Pois o seu fervor no serviço de Deus e a sua caridade para com os outros é que hão de trazer a toda a Igreja o sopro de espírito novo que a fará aparecer como um sinal levantado entre as nações (Is 11,12), como «luz do mundo» (Mt 5,14) e «sal da terra» (Mt 5,13).[1]

Paz e Bem!

 


[1] Concílio Vaticano II - Decreto «Ad Gentes», sobre a atividade missionária da Igreja, 35-36


Publicado por Frei Fernando Maria em 14/06/2016 às 12h05
 
07/06/2016 09h43
"BEM-AVENTURADOS OS POBRES EM ESPÍRITO"

“BEM-AVENTURADOS OS POBRES EM ESPÍRITO”

A virtude da pobreza é a porta de entrada da providência divina em nossa vida...

Todos os homens, sem exceção, desejam a felicidade, a bem-aventurança. Mas têm sobre ela ideias diferentes: para um, a felicidade está na voluptuosidade dos sentidos e na suavidade de vida; para outro, está na virtude; para outro ainda, está no conhecimento da verdade. É por isso que Aquele que ensina todos os homens [...] começa por recuperar os que se afastaram, orientando os que se encontram no caminho certo, e abrindo a porta aos que batem. [...] Assim, pois, Aquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6) recupera, orienta e abre a porta, e começa a fazê-lo dizendo: “Bem-aventurados os pobres em espírito”.

A falsa sabedoria deste mundo, que na realidade é loucura (1Cor 3,19), pronuncia-se sem compreender o que diz, considerando bem-aventurados “os filhos do estrangeiro, cuja boca só diz mentiras, e cuja direita jura falso”, porque os celeiros deles “estão fornecidos com todas as espécies, os seus rebanhos multiplicam-se aos milhares, em dezenas de milhares os seus campos” (Sl 143,11-13). Mas todas estas riquezas são incertas, a paz deles não é a paz (Jer 6,14), a alegria deles é estúpida.

Pelo contrário, a Sabedoria de Deus, o Filho por natureza, a mão direita do Pai, a boca que fala verdade, proclama felizes os pobres, que estão destinados a ser reis do reino eterno. Ele parece dizer: “Procurais a bem-aventurança, mas ela não se encontra onde a procurais; correis, mas correis fora do caminho. Eis o caminho que conduz à felicidade: a pobreza voluntária por minha causa, é esse o caminho. O reino dos céus em Mim, eis a bem-aventurança. Correis muito, mas mal; quanto mais depressa avançais, mais vos afastais da meta.”

Não temamos, irmãos. Somos pobres, ouçamos a palavra do Pobre, que recomenda a pobreza aos pobres. Podemos acreditar na sua experiência: tendo nascido pobre, Ele viveu pobre e pobre morreu. Nunca quis enriquecer; antes aceitou morrer. Acreditemos, pois, na Verdade que nos indica o caminho que conduz à vida. Trata-se de um caminho árduo, mas curto; e a felicidade é eterna. O caminho é estreito, mas conduz à vida (Mt 7,14).[1]

Paz e Bem!

PS: A corrupção é o caminho mais curto para o inferno, e por ele seguem os adoradores do vil metal... (cf. 1Tim 6,6-10).

 


[1] Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense - Sermão 1, de Todos os Santos


Publicado por Frei Fernando Maria em 07/06/2016 às 09h43



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