FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
29/02/2016 10h20
TAL COMO ACONTECE COM OS RAMOS DA VIDEIRA...

TAL COMO ACONTECE COM OS RAMOS DA VIDEIRA...

A parábola da vinha

A vinha é o nosso símbolo, porque o povo de Deus eleva-se acima da terra enraizado na cepa da vinha eterna (Jo 15, 5). Fruto de um solo ingrato, a vinha pode desenvolver-se e florescer, ou revestir-se de verdura, ou assemelhar-se ao jugo amável da cruz, quando cresce e os seus braços estendidos são os sarmentos de uma videira fecunda. [...] É, pois, com razão que chamamos vinha ao povo de Cristo, quer porque ele traça na testa o sinal da cruz (Ez 9, 4), quer porque os frutos da vinha são recolhidos na última estação do ano, quer porque, tal como acontece aos ramos da videira, pobres e ricos, humildes e poderosos, servos e senhores, todos são, na Igreja, de uma igualdade completa. [...]

Quando é ligada, a vinha endireita-se; se é podada, não é para a diminuir, mas para fazê-la crescer. E o mesmo se passa com o povo santo: quando é preso, liberta-se; quando é humilhado, eleva-se; quando é cortado, é uma coroa que lhe é dada. Melhor ainda: tal como o rebento que é retirado de uma árvore velha e enxertado noutra raiz, assim também este povo santo [...] se desenvolve quando é alimentado na árvore da cruz [...]. E o Espírito Santo, como que expandindo-Se nos sulcos de um terreno, derrama-Se sobre o nosso corpo, lavando tudo o que é imundo e limpando-nos os membros, para os dirigir para o céu.

O Vinhateiro tem por costume mondar esta vinha, ligá-la e apará-la (Jo 15, 2). [...] Ora inunda de sol os segredos do nosso corpo, ora os rega com a chuva. Ele gosta de mondar o terreno, para que os espinheiros não perturbem os rebentos; e vela para que as folhas não façam demasiada sombra [...], privando de luz as virtudes e impedindo os frutos de amadurecer.[1]

Paz  e Bem!

 


[1] Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja

Comentário sobre o Evangelho de São Lucas 9, 29-30 (trad. Véricel, L'Evangile commenté, p. 290 rev. ; cf SC 52, p. 150)


Publicado por Frei Fernando Maria em 29/02/2016 às 10h20
 
25/02/2016 15h14
NEM SEMPRE...

NEM SEMPRE ENTEDEMOS OS PORQUÊS DA VIDA...

«Um pobre [...] jazia junto do seu portão»

Cristo disse: «Tive fome e destes-Me de comer» (Mt 25, 35). E não teve fome só de pão, mas também da estima acolhedora que nos permite sentirmo-nos amados, reconhecidos, sermos alguém aos olhos de outrem. Ele não foi desprovido só das suas vestes, mas também da dignidade e do respeito humano, pela grande injustiça que é cometida com o pobre, que é precisamente ser desprezado por ser pobre. Não só foi privado de um teto, mas também sofreu as privações por que passam os encarcerados, os rejeitados e os escorraçados, aqueles que vagueiam pelo mundo sem ter ninguém que trate deles.

Ao desceres a rua, sem outro propósito senão esse, talvez atentes no homem que está ali à esquina, e vás ao seu encontro. Talvez ele fique de pé atrás, mas tu colocas-te na sua frente. Tens de irradiar a presença que trazes dentro de ti com o amor e a atenção que dás ao homem a quem te diriges. E por quê? Porque, para ti, Ele é Jesus. Sim, é Jesus, mas não pode receber-te em sua casa — é por isso que tens de ser tu a dirigir-te a Ele. Ele está escondido ali, naquela pessoa. Jesus, oculto no mais pequenino dos irmãos (cf. Mt 25, 40), cheio de fome de pão, mas também de amor, de reconhecimento, de ser tido como alguém com valor.[1]

Paz e Bem!

 

 


[1] Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade - «Não há maior amor»


Publicado por Frei Fernando Maria em 25/02/2016 às 15h14
 
22/02/2016 22h28
TU ÉS PEDRO...

A IGREJA É CRISTO E CRISTO É A IGREJA, JUNTAMENTE COM SEUS APÓSTOLOS, TENDO PEDRO À FRENTE DELES...

«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»

Cristo, ao instituir os Doze, «deu-lhes a forma dum corpo colegial, quer dizer, dum grupo estável, e colocou À sua frente Pedro, escolhido de entre eles». «Assim como, por instituição do Senhor, Pedro e os outros apóstolos formam um só colégio apostólico, assim de igual modo o pontífice romano, sucessor de Pedro, e os bispos, sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si»; pelo Espírito Santo que lhes foi dado.

Foi só de Simão, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta e instituiu-o pastor de todo o rebanho (cf. Jo 21,15ss.). «Mas o múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, também foi dado, sem dúvida alguma, ao colégio dos Apóstolos unidos ao seu chefe». Este múnus pastoral de Pedro e dos outros apóstolos pertence aos fundamentos da Igreja e é continuado pelos bispos sob o primado do Papa.

O Papa, bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, tanto os bispos como a multidão dos fiéis». “Com efeito, em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer».

«O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o pontífice romano [...] como sua cabeça». Como tal, este colégio é «também sujeito do poder supremo e pleno sobre toda a Igreja, poder que, no entanto, só pode ser exercido com o consentimento do pontífice romano».

«O colégio dos bispos exerce de modo solene o poder sobre toda a Igreja no concílio ecuménico». Mas «não há concilio ecuménico se não for, como tal, confirmado, ou pelo menos aceite, pelo sucessor de Pedro».

«Pela sua múltipla composição, este colégio exprime a variedade e a universalidade do povo de Deus; enquanto reunido sob uma só cabeça, revela a unidade do rebanho de Cristo».[1]

Paz e Bem!

Referências: Lumen Gentium, 22-23.

 


[1] Catecismo da Igreja Católica - §§ 880-885


Publicado por Frei Fernando Maria em 22/02/2016 às 22h28
 
20/02/2016 12h18
UMA DÍVIDA DE AMOR...

AMAR É A FORMA MAIS SIMPLES E ORIGINAL DE QUERER BEM!

«Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos...»

«Não devais a ninguém coisa alguma a não ser o amor mútuo» (Rom 13,8). Que dívida espantosa, irmãos, este amor que o apóstolo Paulo nos ensina a pagar, sem nunca cessarmos de ser devedores. Dívida feliz, esta, dívida sagrada, portadora de juros no céu, cumulada de riquezas eternas! […] Recordemos também as palavras do Senhor: «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam» (Lc 6,27). E qual será a recompensa deste labor? […] «Sereis filhos do Altíssimo» (v. 35).

O apóstolo Paulo revela-nos o que será dado a estes filhos de Deus: seremos «filhos e também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo» (Rom 8,17). Escutai, pois, cristãos, escutai, filhos de Deus, escutai, herdeiros de Deus, coerdeiros de Cristo! Se quereis possuir a herança do vosso Pai, pagai a vossa dívida de amor, não só aos vossos amigos, mas também aos vossos inimigos. A ninguém recuseis este amor, que é o tesouro comum de todos os homens de boa vontade. Possuí-o, pois, todos juntos e, a fim de o aumentar, dai-o tanto aos maus como aos bons. Porque este bem, que apenas pode ser possuído em conjunto, não é da terra, mas do céu; e a parte de um jamais reduz a parte de outro. […]

O amor é um dom de Deus: «O amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi concedido» (Rom 5,5). […] O amor é a raiz de todos os bens, da mesma maneira que, diz São Paulo, a avareza é a raiz de todos os males (1Tim 6,10). […] O amor está sempre satisfeito porque, quando mais multiplica os seus dons, mais abundantemente Deus no-los dispensa. Eis por que motivo, enquanto o avarento empobrece com tudo aquilo que açambarca (monopoliza), o homem que paga as suas dívidas de amor enriquece com tudo aquilo que dá.[1]

Paz e Bem!

 

 


[1] São Fulgêncio de Ruspas (467-532), bispo no Norte de África - Sermão 5


Publicado por Frei Fernando Maria em 20/02/2016 às 12h18
 
19/02/2016 12h20
A CHAVE QUE ABRE OS CORAÇÕES FECHADOS...

QUERES TER ACESSO AO CORAÇÃO DO TEU IRMÃO? TENHA-NO MEDIANTE A ORAÇÃO, POIS ELA É A CHAVE QUE ABRE OS CORAÇÕES FECHADOS...

«Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão»

Irmãos, que não haja discórdia entre vós, dado que nos encontramos nos dias santos [da quaresma]. [...] Talvez penseis: «Eu quero fazer as pazes, mas foi o meu irmão que me ofendeu [...] e ele não quer pedir-me perdão.» O que fazer nesses casos? [...] Interpor entre vós terceiros, amigos da paz. [...] Tu, mostra-te disposto a perdoar, mostra-te totalmente disposto a desculpar-lhe a falta de todo o coração. Se estiveres disposto a desculpar-lhe a falta, já lha desculpaste.

Falta-te agora rezar: reza por ele, a fim de que te peça perdão, porque sabes que não é bom para ele não o fazer. Reza por ele [...]; diz ao Senhor: «Sabes que eu não ofendi o meu irmão [...] e que a ofensa que me fez lhe é prejudicial; peço-te, pois, um coração bom para lhe perdoar.»

Eis o que tendes de fazer para viverdes em paz com os vossos irmãos [...], para que festejemos a Páscoa serenamente e possamos comemorar serenamente a Paixão daquele que nada devia a ninguém e que assumiu as dívidas em vez dos devedores, o Senhor Jesus Cristo, que não ofendeu ninguém e que, por assim dizer, foi ofendido por toda a gente. Ele não exigiu castigos, mas prometeu recompensas. [...] É Ele que tomamos como testemunho no nosso coração: se ofendemos alguém, peçamos-lhe perdão; e, se alguém nos ofendeu, estejamos prontos a perdoar e a rezar pelos nossos inimigos.[1]

Paz e Bem!

 


[1] Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja - Sermão 211, 5-6 (SC 116, p. 169)


Publicado por Frei Fernando Maria em 19/02/2016 às 12h20
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