FREI FERNANDO, VIDA , FÉ E POESIA

A vida, como dom, é uma linda poesia divina, declamemo-la ao Senhor!

Meu Diário
16/05/2015 10h10
A ORAÇÃO É MAIS DO QUE PEDIDOS...

A ORAÇÃO É MAIS DO QUE PEDIDOS...

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão da Quaresma nº 5, 5

«Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá»

Quando falo da súplica, parece-me perceber no vosso coração certas reflexões humanas que tenho ouvido muitas vezes, até no meu próprio coração. Não cessando nós nunca de suplicar, como é que parece que tão raramente experimentamos o fruto das nossas súplicas? Temos a impressão de sair da oração de súplica como entrámos: ninguém nos responde uma única palavra, ninguém nos dá nada e temos a impressão de ter pedido em vão. Mas o que diz o Senhor no evangelho? «Não julgueis pelas aparências, julgai segundo a justiça» (Jo 7,24). E o que é um julgamento justo, senão um julgamento de fé? Porque «o justo vive pela fé» (Gal 3,11). Julgai, pois, preferencialmente pela fé, em vez de o fazerdes pela experiência, porque a fé não engana, enquanto a experiência pode induzir em erro.

E qual é a verdade da fé, senão a que o próprio Filho de Deus nos prometeu? «Tudo quanto pedirdes, orando, acreditai que o recebereis e obtereis» (Mc 11,24). Assim, que ninguém entre vós, irmãos, tenha em pouca conta a sua prece! Porque vos asseguro que Aquele a quem ela é dirigida não a tem em pouca conta; antes mesmo de ela ter saído da vossa boca, Ele a escreveu no seu livro. Podemos estar certos, sem a mínima dúvida, de que, ou Deus nos concede o que lhe pedimos, ou nos dará outra coisa que Ele sabe ser mais vantajosa para nós. Porque «nós não sabemos o que devemos pedir em nossas orações» (Rom 8,26), mas Deus tem compaixão da nossa ignorância e recebe a nossa prece com bondade. [...] Por isso, «põe no Senhor as tuas delícias; Ele conceder-te-á os desejos do teu coração» (Sl 36,4).

Paz e Bem!

PS: Para os que creem a oração é mais do que pedidos, ela é intimidade com o Senhor, é expressão de nosso amor filial, do nosso desejo de convívio eterno...


Publicado por Frei Fernando Maria em 16/05/2015 às 10h10
 
15/04/2015 13h23
DISTO NÃO PODEMOS DUVIDAR...

DISTO NÃO PODEMOS DUVIDAR...

Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 12, De Pasione, 3. 6-7:PL54,355-357)(Séc.V)

Cristo vivo em sua Igreja

Caríssimos filhos, a natureza humana foi assumida tão intimamente pelo Filho de Deus, que o único e mesmo Cristo está não apenas neste homem, primogênito de toda a criatura, mas também em todos os seus santos. Disto não podemos duvidar. E como a Cabeça não pode separar-se dos membros, também os membros não podem separar-se da Cabeça. Se é certo que Deus será tudo em todos não nesta vida, mas na eterna, também é verdade que, desde agora, ele habita inseparavelmente no seu templo, que é a Igreja, conforme sua promessa: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20).

Por conseguinte, tudo quanto o Filho de Deus fez e ensinou para a reconciliação do mundo, podemos saber não apenas pela história do passado, mas experimentando-o na eficácia do que ele realiza no presente. É ele que, tendo nascido da Virgem Mãe pelo poder do Espírito Santo, por ação do mesmo Espírito, fecunda a sua Igreja imaculada, a fim de gerar pelo nascimento batismal, uma inumerável multidão de filhos de Deus. É deles que se diz: “Estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo” (Jo 1,13).

É nele que foi abençoada a descendência de Abraão por meio da adoção filial de todos os povos do mundo; e o santo patriarca torna-se pai das nações quando, pela fé e não pela carne, lhe nascemos filhos da promessa. É ele que, sem excluir povo algum, reúne em um só rebanho as santas ovelhas de todas as nações que existem debaixo do céu, e todos os dias cumpre o que prometera, ao dizer: Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16).

Embora tenha dito de modo especial a São Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17), é ele o único Senhor que orienta o ministério de todos os pastores. É ele que alimenta os que se aproximam desta pedra, com pastos tão férteis e bem irrigados, que inúmeras ovelhas, fortalecidas pela generosidade do seu amor, não hesitam em morrer pelo Pastor, o Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas. É ele que une à sua Paixão não apenas a gloriosa fortaleza dos mártires, mas também a fé de todos aqueles que renasceram nas águas batismais.

É nisso que consiste celebrar dignamente a Páscoa do Senhor com os ázimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor. A nossa participação no corpo e no sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos naquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados nele, que o tenhamos sempre em nós tanto no espírito quanto no corpo.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 15/04/2015 às 13h23
 
09/04/2015 10h01
"VEDE AS MINHAS MÃOS E OS MEUS PÉS, SOU EU MESMO. TACAI-ME"

«VEDE AS MINHAS MÃOS E OS MEUS PÉS: SOU EU MESMO. TOCAI-ME»

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja - Comentário sobre o Evangelho de João, 12; PG 74, 704-705

O evangelista São Mateus escreve que Cristo, levando consigo Pedro, Tiago e João, Se transfigurou diante deles: «O seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a neve.» Mas eles, não podendo suportar tal visão, […] «caíram com a face por terra» (Mt 17,1ss). Foi por isso que, para Se conformar exatamente com o plano divino, o Senhor Jesus apareceu no Cenáculo ainda com o aspecto que tinha anteriormente e não segundo a glória que Lhe era devida e que convinha ao Templo que era o seu corpo transfigurado.

Ele não queria que a fé na ressurreição fosse transferida para outro aspecto ou para um corpo diferente do que tinha recebido da Santíssima Virgem, e no qual fora morto e crucificado, segundo as Escrituras. Com efeito, a morte só tinha poder sobre a carne, na qual seria derrotada. Pois se o seu corpo morto não tivesse ressuscitado, que morte teria sido vencida? […] Não poderia ser apenas uma alma, nem um anjo, nem mesmo unicamente o Verbo de Deus. […]

Além disso, qualquer pessoa sensata considerará que é uma prova da ressurreição, o fato de o Senhor ter entrado no Cenáculo com todas as portas fechadas. Ele saúda os seus discípulos com estas palavras: «A paz esteja convosco», mostrando que Ele próprio é a paz. Pois aqueles a quem Se apresenta recebem um espírito perfeitamente pacificado e tranquilo. É seguramente o mesmo que São Paulo deseja aos fiéis quando diz: «A paz de Deus, que ultrapassa toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus» (Fil 4,7).

Portanto, estar com Cristo ressuscitado e em Cristo ressuscitado, é gozar de sua paz desde já, é receber o seu Espírito Santo como os apóstolos o receberam do “sopro de vida” que o Senhor soprou sobre eles (cf. Jo 20,22). Ou seja, Cristo ressuscitado se une a nós e nos livra deste mundo e de todo o mal, para testemunharmos que somente Nele temos a graça da vida eterna. E é exatamente por isso que somos filhos de Deus, porque o seu Espírito habita em nós (cf. Rm 8,14-17).

Paz e Bem!

 


Publicado por Frei Fernando Maria em 09/04/2015 às 10h01
 
08/04/2015 16h44
TRAZEMOS O CRISTO RESSUSCITADO...

TRAZEMOS O CRISTO RESSUSCITADO NA ALMA E EM SUAS PALAVRAS...

 

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja - Homília 25 sobre o Evangelho; PL 76, 1188-1196

Chama-te pelo nome

«Se foste tu que o tiraste»: como se Maria já lhe tivesse dito porque chorava! Fala «dele», sem pronunciar o seu nome. Tal é o fulgor do amor: quando estamos repletos de amor, acreditamos que os outros sentem o mesmo que nós. […]. Maria é incapaz de imaginar que alguém possa ignorar a razão da sua imensa tristeza.

Jesus diz-lhe: «Maria!» Pouco antes, chamara-a pelo nome comum a todas do seu sexo: «Mulher», sem ainda Se dar a conhecer. Agora, chama-a pelo seu nome próprio, como se lhe dissesse sem rodeios : «Reconhece Aquele que te reconhece.» Também Deus disse a Moisés: «Conheço-te pelo teu nome (Ex 33,12). «Homem» é o nome comum a todos; mas «Moisés» é o seu nome próprio e Deus diz que o conhece pelo seu nome e parece declarar: «Não te conheço como conjunto dos homens, conheço-te pessoalmente.»

Assim, chamada pelo próprio nome, Maria reconhece o seu criador e no mesmo instante responde-lhe: «Rabbouni», que quer dizer Mestre. Ela procurava-O fora de si, mas Ele pediu-lhe que O procurasse dentro de si. […] «Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Vi o Senhor!” E contou o que Ele lhe tinha dito.» Neste momento, o pecado dos homens abandona o coração de onde procedia. Porque se foi uma mulher que, no paraíso, tentou um homem com o fruto da morte, é uma mulher que, no sepulcro, anuncia a vida aos homens e lhes leva as palavras daquele que traz a vida.

Feliz Páscoa do Senhor!

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 08/04/2015 às 16h44
 
01/04/2015 10h12
"O MEU TEMPO ESTÁ PRÓXIMO..."

“O MEU TEMPO ESTÁ PERTO...”

São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja

Catequese Batismal 13, § 6

«O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa»

Queres que te demonstre que Cristo sofreu a sua Paixão voluntariamente? Os outros homens morrem de má vontade, pois morrem nas trevas; mas Ele dizia antes da sua Paixão: «Eis que o Filho do Homem Se entregou para ser crucificado» (Mt 26,2). Sabes por que foi que este misericordioso não fugiu à morte? Para evitar que o mundo inteiro sucumbisse nos seus pecados. «Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue e crucificado» (Mt 20,13) e  ainda: «Ele tomou resolutamente o caminho de Jerusalém.»

Queres também saber claramente que a cruz é, para Jesus, uma glória? Ouve-O a Ele dizer-to, e não a mim. Judas, cheio de ingratidão pelo seu anfitrião, ia entregá-Lo; acabava de sair da mesa e de beber do cálice da bênção e, ao invés de agradecimento por esta bebida da salvação, decidiu verter sangue inocente. Ele que comera o pão do seu Mestre, agradecia-Lhe de modo vergonhoso entregando-O. [...]

Depois Jesus disse: «É chegada a hora em que o Filho do Homem será glorificado» (Jo 12,23). Vês como Ele sabe que a cruz é a sua glória? [...] Não que antes Ele tenha existido sem glória, pois fora glorificado «com a glória que tinha antes da fundação do mundo» (Jo 17,5). Mas, como Deus, era glorificado eternamente, enquanto agora era glorificado por ter merecido a coroa pela sua constância na prova.

Ele não foi obrigado a deixar a sua vida, não foi forçado a imolar-Se; Ele avança livremente. Escuta as suas palavras: « Tenho o poder de entregar a minha vida e tenho o poder de a retomar» (Jo 10,18); é por minha inteira vontade que cedo aos meus inimigos, pois se Eu não quisesse, nada aconteceria. Ele veio, portanto, voluntariamente para a Paixão, contente com esse ato, sorrindo à coroa, feliz por salvar a humanidade.

Paz e Bem!


Publicado por Frei Fernando Maria em 01/04/2015 às 10h12



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